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  A história do Dj

A profissão de DJ não inventada nos anos 70 com a cultura Hip Hop, como muitos pensam, nem anos antes nos soundsystems jamaicanos. Ela é mais antiga do que isso. A figura do DJ surgiu nas rádios americanas algumas décadas atrás e ganhou força nos anos 50, com a reestruturação das emissoras de rádio, quando a execução radiofônica tornou-se fundamental para o sucesso comercial dos artistas. O hit radiofônico, por sinal, assim como a calça Jeans, a Coca-Cola e o hambúrguer, foi uma das maiores invenções da cultura norte-americana. Os culpados, portanto, como sempre, são os americanos.

De lá pra cá, o DJ/locutor migrou para as pistas, sejam estas de reggae - na Jamaica sessentista, os DJs era chamados de selectors, e, juntamente com os Mestre de cerimônias (MCs) e os engenheiros de som, colocavam os adoradores da marijuana pra dançar ao som dos potentes alto-falantes dos soundsystems- rap, jazz, disco music e por aí vai. Aliás, foi justamente nos anos 70, que o então termo Disc Jockey (discotecário, para nós), ficou velho demais para a época e aí surgiu o DJ (dee jay) que começou a fazer colagens musicais, arranhões (os famosos scratches), mixagens e, claro, produções, se transformando em um músico não ortodoxo, que rouba, pirateia, se apropria, sampleia trechos de outras músicas, manipula velocidades, sons, filtros, inventam gêneros musicais, apontam caminhos para a música, educa gerações, trafica músicas de uma cidade pra outra, de um estado para outro e até de um país pra outro, e até vira pop star.

No final dos anos 80, nos Estados Unidos e no Reino Unido (sempre eles!) os DJs, juntamente com produtores de festas, traficantes, consumidores e malucos em geral, criaram as raves. O espírito da coisa era fazer festas em locais afastados e não-convencionais, fugindo de aluguéis caros, clubes grãn-finos, gente careta e chata, música ruim, polícia, pai e mãe. A ordem nas pistas era dançar as novidades musicais do momento: o acid house, o tecno e outras variantes da dance music e consumir drogas da moda como o ecstasy. Passar vick vaporub no corpo suado (pra dar aquele friozinho) e dançar livremente, sem coreografias ensaiadas. O paraíso funcionou por um tempo, mas, é claro, veio a polícia a mando do governo (e dos pais e das mães) e acabou, literalmente, com a festa.

Aí, a coisa chegou ao Brasil, através dos paulistanos deslumbrados, com anos de atraso, descontextualizada. E anos depois, através de cearenses e forasteiros deslumbrados, inclusive eu, a rave chegou aqui, mais distorcida ainda do seu caráter original de anarquismo, hedonismo e outros ismos. E chegou de cum força, através de festas rave em barracas de praia, galpões, sítios afastados, pedreiras e afins. Tudo bem divulgadinho, pagando impostos, com divulgação em rádio, TV e outdoor, em resumo: nada a ver com àquelas raves inglesas e americanas. A única semelhança com àquele tempo é a figura do DJ que ganhou uma outra alcunha: DJ de rave. Ou seja: toda festa em lugar afastado ou inusitado virou rave e todo DJ que toca nestas festas, chamadas erroneamente chamado de raves, virou DJ de rave. Foi o meu caso. Como fui discotecar em um circo (um local inusitado), e sou um DJ, pensaram que se tratava de uma rave.

Fonte: www.opovo.com.br




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